DIALÉTICA
Todas as formas ainda se encontram em esboço.
Tudo passa em eterna transformação
E o universo anda rápido
Na última engrenagem conectado.
Arranquemos as árvores que se antepõem às outras
O som da lira muito antiga
Seu toque de música
É dado aos ouvidos e ao coração de todos.
Cada novo poeta que começa
Por escrever sua sentença, observe a fôrma.
Amarrai-lhe uma corda.
Uma vida velha, já com mais e mil anos
Pode ter seu complemento e apogeu
Só nesta vida que se inicia agora.
Nada poderá silenciar e se interromper
Nem quebrar a unidade do mundo.
Uma bactéria foi criada no princípio
Para que se infiltre em vários planos.
Nossos suspiros, nossos desejos, nossas dores
São fincados no campo que não tem fim
Pelo espírito calmo e sabedor de suas intenções.
A muitos, só a alternativa de lhe impor o lixo
É a saída, é a entrada, e uma saída sábia
Que lhes coube na tendenciosa partilha da vida
Senão uma angústia atroz sem pureza, e a doença da alma
Não escutaram a música do nascer do dia
Do farfalhar das árvores ao vento que não lhes toca
Nem assistiram à contínua promessa
Nem ao seqüencial parto das novas espécies.
Não lhe oportunizaram ver a noite desprovido de pavor
Guiam-se pelo castigo e a sombra de seus feitos.
Comendo pó e bebendo seu próprio suor
No entanto a transfiguração vem antes da morte.
Cada um deve assumí-la em carne e espírito
Para que a alegria se complete e se torne definitiva.
É preciso conhecer seu próprio abismo
Aquele a que seus pés estão ancorados
Amarrado por um cordão umbilical
Rompendo.
Tudo no mundo anda, e anda para esperar
Nossa existência é uma louca expectativa
Onde se encostam o princípio e o fim.
A terra terá que ser partida entre todos
Tudo anda para a o modelo perfeito:
A aurora é um sonho coletivo.
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naeno*com reservas de domínio

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