AMOR
Difícil falar do amor.
Ele fugidio, abstraído, confuso
Um nome dado a um sentimento
Sintomático da Silva
Dos sobrenomes todos da vida.
E quem é ele, um vulto
Na legião dos rebelados?
Rompidos a sangue e fogo
Com suas práticas sentenciadas?
Difícil dirigir-se a ele,
Pairar sobre as montanhas,
Às vezes ir muito além,
E gritar por qualquer nome,
Até que se manifeste, o nefasto,
A má obra, peça inacabada.
E como se anunciarão seus dentes?
O seu semblante como se verá?
Algo incifrável venerador,
compassivo à dor.
Desconfiável, improvável que assim se mostre.
Deve vir como uma presa astuta,
Pulando de galho em galho, irritadiço,
Fazendo caras e bocas, brincando à toa,
Fazendo loas, cambalhotadas,
De nada ouvindo, tudo calando.
O amor vem iluzionando visões de barcos,
Em pleno mar, que ora aparecem,
Logo se esconde por trás das ondas,
Em descompasso, com os olhos turvos
Que sobem e descem desesperados.
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